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Como desenvolver a inteligência emocional torna a sociedade melhor?

O conceito de aprimoramento humano com base em ciência é tema no Festival Path 2019, que acontece em São Paulo


Por Brunella Nunes

Foi em 1995 que o termo inteligência emocional surgiu nas prateleiras das livrarias. O psicólogo, escritor e jornalista científico norte americano Daniel Goleman popularizou o tema, que na verdade é discutido desde 1960, em seu best-seller “Inteligência Emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente”. Contrariando as aparências, o conceito não é autoajuda e sim um aprimoramento comportamental ao alcance de todos os indivíduos com respaldo na neurociência, para mostrar que sucesso pessoal ou profissional não é destino, é técnica. O assunto será uma das palestras do Festival Path 2019, em São Paulo, o maior e mais diverso festival de inovação e criatividade do brasil.


A partir da próspera publicação, que vendeu mais de 5 milhões cópias ao redor do mundo, Goleman basicamente desmembra a mente em duas partes, a racional e a emocional, colocando a consciência das emoções como chave para a vitória, da escola à vida adulta. Segundo ele, muitos dos circuitos cerebrais da mente humana são flexíveis, abrindo chances para o desenvolvimento das relações pessoais e profissionais de forma mais saudável e, consequentemente, promissora, já que seria impossível obter qualquer tipo de sucesso sem fortalecer os relacionamentos sociais.


Trabalho e bem-estar podem estar alinhados com a inteligência emocional


Os trabalhos desenvolvidos pelo especialista são pautados por cinco pilares: autoconsciência, autogestão, motivação, empatia e habilidades sociais. Tais domínios seriam responsáveis por guiar pensamentos e ações mais assertivas. O aprimoramento se encaixa no que chamamos de “tecnologia humana”, algo que está dentro de cada um, mas que nem sempre é acessado ou administrado da melhor maneira. Portanto, é preciso treiná-lo. “A primeira competência que cultivamos é a autoconsciência, que é conhecer com mais profundidade as nossas emoções, sentimentos e pensamentos. Dessa forma desenvolvemos uma maior clareza sobre quem somos, como funcionamos, o que importa para nós, quais são nossos valores e propósitos, elementos fundamentais para o autoconhecimento”, explicou Felipe Rech, co-fundador do Instituto Pacífico de Desenvolvimento Humano, em Porto Alegre.


Relembrar a natureza científica da inteligência emocional é o primeiro passo para que o conceito se abra na mente das pessoas. Existe uma série de pesquisas realizados ao redor do mundo, inclusive no Brasil, que procuram investigar e mensurar a validade da percepção de emoções. Por ser um assunto tão complexo e variável quanto cada indivíduo presente na Terra, os resultados são igualmente inconclusivos em termos de eficácia.


Porém, há estudos — como de Bastian, Burns e Nettelbeck, publicado na revista acadêmica Personality and Individual Differences em 2005  —  apontando que indivíduos com “alto índice” de inteligência emocional têm maior satisfação de vida, capacidade de resolução de problemas, habilidade de enfrentamento e menores índices de ansiedade.


Foi com base na eficácia e no saldo positivo apresentado pelas pesquisas que a gigante Google uniu experts em neurociência, negócios e psicologia para ensinar liderança com técnicas de inteligência emocional e mindfulness, um tipo de exercício meditativo milenar propagado pelo budismo, que propõe a atenção plena em apenas uma tarefa. Nesse caso, existem provas reais de que a prática dedicada é mais responsiva, promovendo alterações cerebrais no córtex pré frontal, responsável por tomadas de decisões. Felipe complementa dizendo que “a prática de mindfulness tem o poder de desenvolver as competências da inteligência emocional, e isso pode ser feito de uma forma simples, com pequenos exercícios que podem ser facilmente incluídos em nossa rotina”.


Iniciado em 2007 dentro da empresa e a partir de 2012 em expansão para além dos funcionários, o curso Search Inside Yourself (SIY), do qual Goleman é um dos co-criadores, já chegou a 100 cidades em 30 países, com o objetivo de reduzir o estresse, melhorar o foco, a alta performance sustentada e os relacionamentos interpessoais.


Após uma crise pessoal com a área da comunicação, Felipe foi até a Califórnia para uma série de retiros espirituais. Lá conheceu o programa do Google e gostou tanto que virou professor certificado. “As principais questões de quem procura o curso giram em torno de uma maior capacidade de orientar a atenção para o seu foco, ter mais habilidade na gestão de suas emoções, mais clareza sobre os seus valores e propósitos, despertar a motivação, ser mais resiliente, desenvolver mais empatia com os outros, liderar de uma forma plena e experimentar mais bem-estar de uma forma geral”.


A partir da autoconsciência, motivação e resiliência, o conceito torna líderes mais empáticos


A partir desse mesmo mecanismo desenvolvido pelo Google, Lígia Costa teve uma carreira executiva próspera no mundo corporativo, mas também virou professora e especialista no assunto. Ao transitar de carreira, fundou o Thank God it’s Today, uma agência focada no ensino de habilidades socioemocionais para líderes. Para ela, existe uma junção de fatores que tornam as pessoas mais inseguras, como o cenário econômico do país, as incertezas no campo do trabalho, a velocidade da informação e a desconexão de si mesmas. “A intolerância aumenta, a falta de paciência, as disputas de ego são cada vez mais comuns gerando uma frustração e trazendo um questionamento quase que existencial. Diante de um cenário complexo, precisamos criar um novo conjunto de forças internas”, recordou.


Diante do caos cotidiano, ela aproveita para reforçar a concentração no agora e não no que já aconteceu e no que está por vir. “Viver no momento presente é a única realidade que temos. O passado não existe e o futuro ainda está para chegar. Controlar nossos pensamentos, fazer escolhas conscientes com bondade e generosidade para com nós mesmos é a única coisa que podemos fazer para enfrentarmos o mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo)”.


Siga a mantra: respire, expire e inspire. Descubra mais sobre o assunto na palestra “Inteligência emocional: como usá-la a seu favor”, com a Lígia Costa e o Felipe Rech! Garanta já o seu ingresso para o Festival Path 2019 em São Paulo.


O quê?

“Inteligência emocional: como usá-la a seu favor” @festivalpath


Quando?

Data: 1 de Junho | Horário: 15h00


Onde?

Local: Maksoud Plaza, Sala Rio + Minas

Endereço: R. São Carlos do Pinhal, 424