Economia Criativa resgata brilho do Centro de São Paulo

Antes menosprezada, a região cai nas graças de gente engajada em resgatar toda a energia que pulsa no coração da metrópole. O hub A Vida no Centro explica o fenômeno


Por Brunella Nunes

Quem já passeou pelo Centro de São Paulo nos últimos 20 anos percebe facilmente as mudanças que vêm acontecendo. Pouco a pouco, o lugar que é um dos principais atrativos turísticos da cidade sai da aura da degradação para retomar seu brilho de outrora, abraçando cada vez mais a diversidade, o pluralismo cultural, a história e os personagens que o tornam único. Passando da revitalização aos novos negócios, a economia criativa é quem permeia os espaços da região, que tem tudo para se tornar a mais cobiçada de todas.

O repovoamento já começou e não tem hora para acabar. Os jornalistas Clayton Melo e Denize Bacoccina se mudaram para a vizinhança e caíram de vez em suas graças. Querendo aprofundar o olhar de outras pessoas, fundaram o hub de inovação e cultura A Vida no Centro, focado no Centro de São Paulo. A dupla também marca presença na curadoria de palestras doFestival Path, que acontece nos dias 19 e 20 de maio em SP. “Depois de algumas décadas de esvaziamento, a região começou a receber novos moradores e frequentadores, especialmente os jovens adultos, que vêm para a região atraídos pela efervescência cultural, facilidade de transporte e estilo de vida contemporâneo, com a diversidade própria dos grandes centros. Isso deu um novo dinamismo ao Centro, com a cultura, a gastronomia e o ativismo social exercendo um papel de destaque nessa retomada”, contaram ao Panda.


De olho nesse público, as empreiteiras tratam de lançar empreendimentos variados, enquanto imobiliárias especializadas se preocupam em recuperar antigos apartamentos para abrigar os descolados. Enquanto a verticalização não dá uma trégua, o comércio segue o baile. Uma caminhada curta já é capaz de revelar que opções não faltam, transbordam. As vias revelam um mundo de infinitas possibilidades.

Além das lojas populares, sem dúvidas o Centro se tornou um ponto para comer e beber muito bem, com a vantagem de ter zero afetação. As ruas vão ganhando cada vez mais movimentação com as apostas gastronômicas de empresários e chefs como Janaína e Jefferson Rueda, donos dos badalados Bar da Dona Onça, no Copan, da Casa do Porco e do Hot Pork, a poucos metros do icônico edifício assinado por Oscar Niemeyer.


Os exemplos de ótimos aproveitamentos de espaços “esquecidos” pelo tempo não param de crescer. Rodeada pela boêmia paulistana da Praça Dom José Gaspar, a Galeria Metrópole, foi um dos primeiros edifícios multifuncionais da cidade e hoje é um dos pontos mais férteis da República. Tem atrativos para todos os gostos: a lanchonete Sattisfato; a barbearia Metropolis; a galeria de arte XKWZ; o atelier Pano Social; a loja de vinhos Prosa e Vinho; os bares Mandíbula e Metropol para curtir a noite; a biblioteca e loja de livros Tapera Taperá. No mesmo miolo de ferveção, o edifício Tokyo, misto de karaokê, balada e espaço cultural, é o queridinho do momento. Ele ocupa, também, um charmoso prédio de 1960.


Até os edifícios mais turísticos passaram por novidades. O antigo Banespão se transformou no Farol Santander, um espaço de exposições, com cafeteria e mirante. O vizinho Edifício Martinelli vai ganhar museu, restaurantes e bares em seu espaçoso terraço, que provavelmente será o mais disputado do Centrão. O Edifício Esther foi dominado pelo chef francês Olivier Anquier, que ali montou um restaurante e uma padaria.

Assim como aconteceu em bairros de grandes capitais internacionais, como Meatpacking e Williamsburg em Nova York ou Mitte em Berlim, a transformação de áreas degradadas em núcleos de turismo, cultura e inovação é o motor para tornar os sonhos uma realidade. As mudanças positivas dos últimos tempos foram pautadas por coletivos culturais e movimentos sociais que ajudam na tarefa de não apenas criar espaços, mas de tornar o Centro cada vez melhor em termos de qualidade de vida.


“Acreditamos que esse processo vai se intensificar bastante nos próximos dez anos, embora ainda haja muitos desafios pela frente. A região central vai se consolidar como um pólo de inovação e cultura num futuro não muito distante. A questão é que, para tudo isso acontecer mais rapidamente, o poder público precisa fazer a parte dele, desenvolvendo políticas sérias colocando em prática ações consistentes para a região, em vez de alardear planos mirabolantes que nunca saem do papel” — Clayton Melo e Denize Bacoccina, do hub A Vida no Centro.

A casualidade acolhedora e um tanto democrática tornam a região a “Casa da Mãe Joana”, literalmente. Sempre cabe mais um nesse coração aí. A impressão é de que ao pisar em algum canto da Sé e seus arredores, todos se igualam. As diferentes classes sociais convivem de maneira quase poética. Moradores de rua, skatistas, ambulantes, travestis e empresárias estão dividindo a mesma calçada o tempo todo. Para quem ainda fica às sombras da insegurança que reprime os ânimos, Clayton e Denize citam uma frase do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, que assinou a obra do recém-inaugurado Sesc 24 de Maio: “este dito medo das áreas centrais é justamente de quem tem medo da liberdade. Tem gente que tem pavor desta liberdade”.


A sugestão é que, estando em São Paulo, você não tenha medo da vida urbana. A violência é uma realidade em São Paulo e no Brasil como um todo. Mas é menos perigoso andar a pé no Centro do que em bairros onde as ruas ficam vazias. Aqui tem uma diversidade maravilhosa, que às vezes assusta algumas pessoas. A dica é: venha e experimente. Você vai gostar”, argumentaram.

Qual é a boa de hoje?

Clayton e Denize, indicam alguns pontos imperdíveis na região para ninguém ficar de fora.

Um lugar para…

relaxar e ficar a toa: Biblioteca Mário de Andrade

fazer boas compras: Zona cerealista, para todo tipo de comida diferente, e a 25 de Março para todo o resto — de coisas para casa a bijuterias.

bater cabelo/dançar: Drosophyla e Alberta 3#

comer e beber bem: o vietpub Bia Hoi SP

um PF honestão: Los Rollos, um restaurante colombiano na Praça Roosevelt

trabalhar: para os nômades digitais, os cafés! Há cada vez mais opções bacanas para fazer reuniões de trabalho ou ligar o notebook e ficar na labuta. Exemplos: Little Rock Coffee, na avenida São Luís; e Flashback Café, no Centro Cultural Banco do Brasil. Temos até uma listinha aqui, para quem quiser mais.

morar: Praça Roosevelt

se apaixonar pelo Centro: Circuito Arouche-Vila Buarque-Copan-Praça Roosevelt

se sentir paulistano: Passear do Centro Histórico no fim de semana e ver onde tudo começou.

buscar inspiração: caminhar livremente pelas ruas do Centro e observar a diversidade que caracteriza São Paulo: de pessoas, estilos, arquitetura etc.


A prosa não acaba, não! O Festival Path leva o assunto para debates nos dias 19 e 20 de maio. Saiba mais e garanta seu ingresso!


>>> Como a arte pode transformar espaços públicos degradados

>>> A retomada do centro de São Paulo pela economia criativa e o ativismo social


Foto: Brunella Nunes

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