Excesso de informação pode estar alimentando as fake news


Por Diogo Rodriguez


Imagem: Flickr/Jon S


Uma das questões mais importantes criadas pela onipresença da internet e das redes sociais é o problema das notícias falsas. Ao longo dos anos 2000 diversos casos de boatos espalhados de maneira eletrônica têm servido como anedota para o ‘admirável mundo novo’ em que vivemos. Pior que isso, as mentiras às vezes custam a vida de uma pessoa.


As chamadas “fake news” tiveram papel essencial em duas das maiores democracias do mundo, nos EUA e no Reino Unido. Informações falsas conseguiram influenciar a percepção de uma parcela dos eleitores e podem ter mudado os resultados da votação do Brexit e favorecido a candidatura de Donald Trump, eleito presidente.


Depois de episódios tão icônicos, as principais empresas de tecnologia do mundo anunciaram que combateriam as notícias falsas com rigor. Embora ainda seja cedo para avaliar a eficácia das iniciativas, é possível dizer que as “fake news” estão se tornando rapidamente um problema inescapável para corporações, governos, partidos e para a sociedade de maneira geral.


Um reforço importante nessa luta está vindo da ciência. Pesquisadores de diversas áreas estão se mobilizando para entender os mecanismos que levam as informações falsas a se espalharem. Uma pesquisa da Universidade de Indiana mostrou que um dos culpados por essa facilidade de multiplicação é o excesso de informação.


Competição acirrada pela atenção

O bombardeio constante de textos, vídeos, tweets, memes, músicas, debilita a capacidade de discernimento dos cidadãos. Segundo Filippo Menczer, cientista da computação e líder da pesquisa, “a competição é tão acirrada que as coisas boas não conseguem chegar ao topo”.


Ele e outros pesquisadores estão identificando outros dois fatores importantes na formação dessa estrutura de enganação online. Além do excesso de informação, a falta de tempo para selecionar bons conteúdos e a estrutura das redes sociais ajudam a explicar a questão.


Estudos descobriram que a popularidade de um determinado conteúdo, não importa quão absurdo seja, tem papel determinante no seu potencial de “espalhamento”. Se algo aparece uma vez na sua timeline, você provavelmente não levará aquilo a sério. Mas se dezenas e dezenas de amigos postam aquela suposta informação, não apenas você estará mais propenso a compartilhá-la também, como passará a ver aquilo como uma possível verdade.

Pesquisa da Universidade de Indiana mostrou que o excesso de informação ajuda as notícias falsas a se multiplicarem

As pesquisas ainda estão engatinhando, por isso os resultados não podem ser considerados definitivos. Mas mesmo esses achados parciais começam a jogar um pouco de luz na natureza das notícias falsas. Elas se fortalecem em aspectos do nosso mundo que antes pensávamos ser apenas positivos. A aparente abundância de informação, a possibilidade de receber conteúdo sem nenhum tipo de mediação e a liberdade para construir grupos de distribuição independentes.


Talvez seja preciso repensar na maneira pela qual consumimos notícias. Será que a ausência completa de editores e curadores é a melhor saída a longo prazo? Será que não será necessário escolher certos atores para que sejam autoridades em informação na rede? Ou talvez um sistema público de verificação (baseado em protocolos abertos, por exemplo), que permitem verificar a autoridade de um site, blog, youtuber, tuiteiro, facebooker?

Ainda não temos respostas satisfatórias, mas as perguntas são importantes e intrigantes.

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