Nove hábitos que os centenários têm em comum

Descubra o que cidades com número recorde de centenários têm em comum e como você pode adaptar algumas ideias para ter uma vida mais longa e saudável.


Por Robson Yokota

As “Blue Zones”, ou Zonas Azuis, fazem parte de um conceito antropológico que descreve estilos de vida e regiões em que as pessoas vivem por muito mais tempo do que no resto do mundo. Entretanto, são vários os fatores que fazem com que esses locais tenham uma expectativa de vida extremamente alta. Comida, amigos, estilo de vida e mentalidade são alguns desses fatores.


Diversos estudos foram feitos e continuam sendo realizados para encontrar a intersecção entre essas regiões. Um dos estudos mais detalhados é o de Dan Buettner, que lançou o livro “The Blue Zones: Lessons for Living Longer From the People Who’ve Lived the Longest” (em tradução livre: “As Zonas Azuis, lições para uma vida mais longa pelas pessoas que vivem mais”), em que ele retrata com detalhes o resultado de anos de pesquisa.

Para encontrar essas cinco Zonas Azuis foi criada uma equipe de demógrafos que tiveram como objetivo encontrar regiões do planeta com as maiores expectativas de vida do mundo, ou onde a proporção de centenários fosse bem maior do que a média. Como resultado, os pesquisadores chegaram a estas cinco regiões:

Arquipélago de Okinawa, Japão — Conhecido por suas belas praias e por ter uma população de centenários extremamente alta: são aproximadamente 35 para cada 100.000 habitantes, número cinco vezes maior do que o resto do Japão, o arquipélago ocupa o 1º lugar no ranking de expectativa de vida da World Health Statistics (2017);

Barbágia na Sardenha, Itália — Com 19 centenários a cada 100.000 habitantes, essa região montanhosa da Sardenha tem a expressão “akent’annos” que pode ser traduzida como: que você chegue aos 100 anos;

Icária, Grécia — A população da ilha chega a viver em média 10 anos a mais do que outras pessoas no resto da Europa. Quase um em cada três icarianos chega aos 90 anos;

Nicoya, Costa Rica — Segundo um estudo da Universidade da Costa Rica, a chance de um homem de 60 anos de Nicoya chegar aos 100 é sete vezes maior do que a de um japonês da mesma idade. Além disso, a região possui a menor taxa de mortalidade de pessoas de meia idade;

Loma Lima (Adventistas do Sétimo Dia), Califórnia, Estados Unidos — Os Adventistas do Sétimo Dia, que vivem em Loma Lima, vivem até 10 anos a mais do que o resto dos habitantes da América do Norte.

Mas o que essas 5 regiões têm de diferente do resto do mundo? E o que elas têm em comum? O estudo de Buettner apontou nove pontos importantes na busca pela vida longa:

1 Sempre em movimento

Seja para regar as plantas no jardim, ir ao supermercado ou visitar os amigos, eles estão sempre andando. Além disso, eles deixam de lado os eletrodomésticos modernos e fazem tudo à moda antiga, com o próprio esforço; desde espremer uma laranja até usar a vassoura ao invés do aspirador de pó.


2 Propósito

Enquanto os okinawanos chamam de “Ikigai”, os nativos de Nicoya chamam de “plano de vida”, mas ambos querem dizer a mesma coisa: aquilo que te faz acordar todos os dias e sair da cama, o que te motiva a viver. Mas é bom deixar claro que o Ikigai não corresponde necessariamente a uma profissão ou carreira. A filosofia é sobre o que te faz querer viver. E, assim como as pessoas, ela é mutável. Alguém com 20 anos pode mudar de Ikigai ao chegar aos 30 e novamente aos 40. Saber o que te motiva e como você pode ajudar as pessoas ao seu redor é um dos princípios básicos do Ikigai.


3 Sabem desacelerar

Mesmo as pessoas das Zonas Azuis têm problemas e lidam com situações de stress. Entretanto, cada uma das regiões possuem rotinas para libertarem-se do stress. Os Adventistas rezam, os icarianos tiram um cochilo, os sardenhos fazem um happy hour e os okinawanos relembram e agradecem seus ancestrais.


4 Comem o necessário

Quando o assunto é comida, o povo de Okinawa leva muito a sério. A primeira regra que eles seguem é: “comer até ficar 80% satisfeito”. Eles têm até um termo para isso: “Hara Hachi Bu”. Apesar de parecer simples, a tarefa exige prática. A dica é parar de comer antes mesmo de você começar a sentir-se cheio. Isso porque, geralmente, nosso cérebro demora de 15 a 20 minutos para receber a mensagem de que o nosso estômago está cheio. Logo, se você parar antes, você conseguirá atingir os 80%. Susan Dopart, uma nutricionista: “Geralmente leva de 15–20 refeições para reiniciar a memória muscular do estômago, e acostumá-lo a menos comida.”

5 Alimentação

90% a 95% da alimentação dos centenários é composta por vegetais, grãos e frutas. Carne entra esporadicamente no cardápio, em alguns locais, apenas cinco vezes por mês. O consumo de açúcar é extremamente baixo, até sete colheres de ch á(28 gramas) por dia. Comer nozes também é um ponto comum entre eles. Amêndoas, pistache, nozes, avelãs, semente de girassol, semente de abóbora e castanha-do-pará são algumas opções.

6 Álcool

Com exceção dos Adventistas, todas as regiões costumam beber regularmente, de forma moderada. Uma ou duas taças de vinho por dia, com os amigos ou durante a refeição. É importante frisar que eles fazem isso regularmente e de forma moderada.


7 Pertencimento

Outro padrão em todas as regiões foi a fé. Todos eles têm comunidades, onde a fé os une. Estudos mostram que independente da religião, pessoas que vão ao menos quatro vezes por mês aos seus respectivos centros, templos, igrejas, etc, tem um aumento na expectativa de vida de 4 a 14 anos.

8 Família

Todas as Zonas Azuis têm na família um pilar para uma vida longa e saudável. Pais, filhos, avós, tataravós possuem uma ligação muito forte e os mais novos respeitam e valorizam a sabedoria dos mais velhos.

9 Grupos sociais

Os okinawanos têm a tradição de formar “moais”, que são círculos sociais em que os participantes se ajudam mutuamente. A ajuda pode ser em forma de apoio emocional, financeiro ou simplesmente para tomar um chá ao fim de um longo dia.


O mais importante de um moai é que ele estará lá quando você precisar. A filosofia prega que ninguém precisa encarar todos os problemas sozinho. Um moai serve como uma estrutura para que seus membros levem uma vida mais tranquila, podendo dividir seus problemas, medos e desejos, sem serem julgados, além de sempre contar com uma visão de fora, que muitas vezes pode ser tudo o que precisamos para resolver um problema.


Dos nove pontos, boa parte pode ser introduzida no seu cotidiano, independente de onde você mora. Olhando dessa forma, é possível criar uma perspectiva mais otimista com relação a vida e como podemos viver mais e melhor. Comer menos e melhor, reunir-se com a família, ter um grupo de amigos, beber moderadamente, usar escadas ao invés do elevador, tirar uma parte do dia para se desligar dos problemas e encontrar algo que te faça feliz ao acordar todos os dias.


Para se aprofundar no tema

TED do pesquisador Dan Buettner

Site sobre as Blue Zones

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