Precisamos conversar sobre como conversar


Conheça caminhos e técnicas que buscam uma sociedade mais saudável através do diálogo


Por Carla Furtado



O senso comum adora dar respaldo para nos manter em zonas de conforto. Quantas vezes você já escutou que política, religião e futebol não se discute? Evitar questões polêmicas pode te livrar de um desconforto, mas a questão é: o quanto deixar de conversar com quem pensa diferente de nós vai nos livrar de evoluirmos? “A ausência de diálogo é fatal para a convivência social, e para o pacto básico de uma comunidade maior”, afirma Dominic Barter, que há mais de 20 anos dedica-se em desenvolver inovações sociais com base no diálogo e é referência mundial em Comunicação Não-Violenta.


Dominic Barter em ação (foto: Tati Wexler)

Assim como Dominic, outros inovadores e inovadoras se dedicam a estudar e ensinar a arte do diálogo - tão rara quanto necessária em tempos de polarizações extremas.

Com tantas interações online e horas gastas em redes sociais, tem ficado nítido que as pessoas preferem se aproximar de opiniões e pessoas semelhantes de si. Muitas vezes chegamos ao extremo de “parar de seguir” alguém que nos desagrada online. Mas, nem sempre é possível fechar os olhos e ouvidos para o que nos contraria. Sem querer, acabamos ofendendo quem discorda de nós.


“Sem saber dialogar, nossa cultura tem medo de conflito. E democracia necessita do conflito saudável entre possibilidades diferentes, sem a desumanização do outro”, explica Dominic.

Para conversar direito: humor, arte e técnica

“O Facebook reflete de forma mais aguda a polarização da sociedade. Isso empobrece o diálogo porque não existe meio termo. Somos diariamente acusados de ser ‘coxinha’ ou ‘petralha’ dependendo de com quem estamos fazendo a piada”, aponta Leonardo Lanna, que escreve no site Sensacionalista e é roteirista na Rede Globo escrevendo nos programas “Tá no Ar - A TV na TV” e “A Escolinha do Professor Raimundo”. O humor pode ser uma das pontes para diminuir essa polarização: “Ele aproxima na medida que traz para a discussão pessoas que não se interessariam por um assunto mais duro, mas que pela via do humor ficam desarmadas e acabam participando”, observa Lanna.


A capacidade de dialogar apropriadamente não é algo nato e, mesmo nos momentos de humor, é preciso reflexão e prática. Muitas vezes a mensagem não é exatamente a que o comunicador deseja transmitir, e isso pode partir tanto de uma falta de autoconhecimento quanto da dificuldade em enxergar o outro. Para facilitar este processo, Dominic trabalha através dos princípios da Não-Violência e da Justiça Restaurativa.


“A Não-Violência foca nossas energias a serviço da vida. Os sistemas econômico e de justiça são dois pilares da nossa sociedade, atualmente orientados para separar e excluir. Então a Não-Violência pesquisa ativamente a transformação desses sistemas irmãos. Como andam de mãos dadas na atual lógica de dominação e medo, podem andar juntos também numa cultura de parceria. A Justiça Restaurativa coloca essa cultura em prática ao criar espaços seguros para a verdade e o diálogo, em que aqueles impactados por um crime ou desavença podem se compreender, reparar laços e danos materiais e costurar novas relações de convivência”, explica.


Até playlists deixaram de ser apenas trilha sonora de festas e hoje podem ser ferramentas de diálogo. “Música é comunicação. E é muito poderosa, pois mexe com a emoção das pessoas, ajuda a traduzir sensações e sentimentos, tornando o diálogo mais real, com alma. Os artistas são os mágicos que conseguem comunicar e traduzir sentimentos através das suas composições”, afirma a pesquisadora musical, radialista e empresária no Bananas Music, Juli Baldi.


Com a consciência, naturalmente vem a responsabilidade. “No Bananas Music, temos a regra de excluir músicas que tenham mensagens preconceituosas, sexistas, machistas ou de ódio. Acreditamos que como curadores, temos o poder de gerar uma demanda e não disseminar valores negativos”, conta Juli.

Não importa qual seja a ferramenta: dialogar é preciso, justamente em tempos em que a conversa parece impossível. Somente a partir da troca é possível colocar em prática nossa visão de mundo, sabendo como transmiti-la, e ouvindo o que os que estão à nossa volta têm a nos dizer.

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