Redesenhar o mundo a nossa volta

Por Diogo Rodriguez

Jaakko Tammela é um palestrante requisitado. Designer de formação, o carioca de ascendência finlandesa é especialista em inovação. Trabalhou e foi consultor de grandes empresas e organizações, nacionais e internacionais, incluindo o Ministério da Cultura brasileiro. Mais do que um profissional do design, Jaakko é um verdadeiro ativista em prol da criatividade. Em sua palestra no Festival Path 2017, mostrou que conforme a tecnologia avança, a noção de autoria ficará cada vez mais diluída. A criatividade será um bem coletivo, não apenas individual. Em entrevista ao Átomo, Jaakko Tammela deu algumas pistas de como será o futuro da inovação.


Muito se fala a respeito da criatividade, de usar novos processos para “destravar” ideias. Existe alguma ferramenta que é reconhecidamente melhor do que outras?

Olha, tô sempre procurando essas “ferramentas” mas, até hoje, só vi duas coisas que funcionaram: terapia e tentativa! Criatividade, hoje, está muito ligada a tentar e arriscar. Não basta ter uma ideia mas sim tentar diversas coisas diferentes para ver se algo funciona ou não. Aí entra a terapia! Não é brincadeira. Para arriscarmos precisamos de um pouco de loucura e/ou um pouco de maturidade (ou melhor, auto-conhecimento) emocional. Precisamos entender nossas forças e fraquezas para saber o quanto de risco (emocional) queremos correr ou não com algo. Tudo o que fazemos de novo -pelo menos essa é a minha sensação- nos traz algum frio na barriga. O novo é excitantemente tenso! Isso é bom. Mas precisamos estar preparados para viver isso.


No design e em diversas outras áreas, a idéia de autoria de projetos está mudando. Você acredita que o autor deixará de ser importante no futuro?

Nao sei se ele deixará de ser importante ou apenas reconfigurado de “o autor” para “os autores”. Acho que “ser responsável” por uma obra é algo que o ser humano busca. Somos seres fazedores e criadores. Pensamos, maquinamos e construímos coisas, mesmo que destrutivas. Então, me parece, que é quase instintivo ser autor de algo. O que muda é que some o “gênio criativo” para o “gênio coletivo”. Iremos aprender que compartilhar é somar. Que podemos ir mais longe (tanto em imaginação quanto em realização) quando fazemos juntos. Dessa forma, tudo o que controlamos enquanto leis deverá mudar. Nossa relação com as coisas, ideias e conhecimentos, também. E isso será assustadoramente maravilhoso!


O design é geralmente visto como uma ferramenta ligada ao mundo visual. Como podemos usar o processo criativo e de trabalho do design para lidar com problemas de outras áreas?

Ele nasceu ligado ao visual e formal, mas há um tempo (nem todo mundo percebe isso ainda) já evoluiu como mindset e processo para algo mais amplo. Hoje podemos usar o design para mudar a maneira que atacamos um problema e buscamos soluções. O design vem sendo utilizado para resolver questões públicas, rever serviços e criar novos negócios. Cada vez mais, o design vem sendo feito por não designers. Ou seja, vem crescendo como habilidade não específica assim como a matemática, física, biologia, etc. Isso ocorre porque se entendemos que tudo (tirando a natureza) que está a nossa volta foi desenhado por alguém (aqui falo de rituais, idéias, átomos e bytes), alguém pode redesenhar. Olhar o mundo por essa perspectiva faz que cada um de nós possa ser e não ser um designer de certa forma e, assim, nos traz a capacidade de poder redesenhar, ou não, tudo a nossa volta.


Conheça o trabalho de Jaakko Tamela: http://www.jaakko.com.br

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